A Universidade Estadual de Maringá (UEM) está implantando um novo curso de graduação em Licenciatura em Letras Inglês – Ensino Bilíngue, voltado à formação de profissionais para o ensino da língua inglesa nas séries iniciais – de 1º ao 5º ano – da educação básica. O curso, inédito no Brasil, foi desenvolvido pelo Departamento de Letras Modernas (DLM) para atender à crescente procura por professores qualificados ao ensino de inglês, especialmente no contexto da educação bilíngue.
A iniciativa surgiu de uma demanda da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) relacionada à expansão de projetos de ensino do idioma na rede pública do Paraná. Principalmente no contexto atual de ampliação do ensino bilíngue nas séries iniciais –mais presente na rede privada – para as escolas públicas.
A primeira oferta do curso será restrita a 400 docentes que já atuam nas redes municipais de ensino, por meio de convênio do DLM com 248 prefeituras do estado, em processo conduzido pela Seti. A expectativa é que, em um segundo momento, a licenciatura passe a integrar a grade de cursos da UEM, sendo oferecida por meio do vestibular.
Segundo a coordenadora do novo curso, Rosângela Aparecida Alves, a proposta parte da necessidade de habilitar professores a atuar nas séries iniciais com formação linguística e metodológica para ensinar inglês a crianças.
“Existe uma diferença em dar aula e dar aula de inglês. Então, você precisa ter, metodologicamente falando, conhecimento de como ensina inglês. É isso que o curso vai ofertar”, destaca Alves.
A formação também vai preparar os futuros profissionais para situações cada vez mais presentes em sala de aula, como a diversidade linguística e cultural decorrente da presença alunos falantes de outros idiomas. O currículo do novo curso inclui ainda conteúdos relacionados à educação inclusiva, tecnologia e inteligência artificial.
Curso terá quatro anos e modalidade semipresencial
Com duração de quatro anos, a formação será ofertada na modalidade semipresencial, em consonância com a Resolução CNE/CES no 04 de 2024 e o novo marco regulatório do Ministério da Educação (MEC) para a educação a distância, combinando atividades presenciais, aulas síncronas e atividades assíncronas.
A estrutura semipresencial representa uma inovação para a própria UEM. O curso foi o primeiro da Universidade a ser aprovado já estruturado nessa modalidade, servindo como referência para a reformulação de outros que anteriormente eram ofertados a distância.
“É o primeiro curso semipresencial aprovado dentro da Universidade, passando por todas as instâncias competentes da UEM. Saiu do departamento, passou pelo nosso centro, Controladoria Geral do Estado (CGE), Conselho Universitário (COU) e Conselho de Administração (CAD) e servirá de modelo para outras universidades estaduais do Paraná”, afirmou a coordenadora.
As atividades presenciais serão realizadas nos 20 polos da UEM distribuídos pelo estado, permitindo que professores que já estão em atividade possam conciliar a formação universitária com o trabalho. As provas serão realizadas presencialmente nos polos e a organização das aulas vai considerar a rotina dos profissionais, com encontros presenciais ocorrendo no período noturno ou aos sábados.
Também estão previstas para esse novo curso atividades voltadas à internacionalização, com a possibilidade de intercâmbios de professores e alunos, bem como ações de mobilidade virtual.
Disciplinas organizadas em módulos
Outra característica do novo curso é a organização curricular por módulos e núcleos de formação. Em vez de disciplinas isoladas, oferecidas de forma semestral ou anual, a nova graduação prevê agrupamentos de componentes curriculares por afinidade. A intenção é estabelecer uma progressão pedagógica na qual os conteúdos estejam articulados entre si.
A criação do curso também está relacionada à expansão do mercado de trabalho para profissionais especializados em ensino bilíngue. A contratação de professores com esta competência é um dos principais gargalos enfrentados pelas escolas que atuam nesse segmento, com forte demanda do setor privado, mas que começa a ganhar espaço também na rede pública com a implementação de programas voltados ao ensino de inglês.
De acordo com a coordenadora da nova licenciatura, os vencimentos de profissionais com formação bilingue no ensino básico partem de R$ 5 mil, mas podem chegar a R$ 20 mil, dependendo da experiência do professor e da estrutura da escola em que o professor atua, o que demonstra o potencial do novo curso e as possibilidades que abre para um mercado em franca expansão.
Formação não exige conhecimento prévio de inglês
Uma das particularidades do novo curso é o fato de que não será necessário saber inglês para ingressar nele. A graduação foi planejada justamente para atender professores que precisam adquirir tanto a proficiência linguística quanto a formação pedagógica necessária para ensinar a língua inglesa. O currículo prevê disciplinas de inglês ao longo dos quatro anos, associadas aos componentes voltados à metodologia de ensino e ao contexto bilíngue. A proposta, portanto, não se limita à formação tradicional em Letras.
A coordenadora se mostrou otimista com o êxito da nova graduação, usando como argumento o ineditismo da estrutura do novo curso de licenciatura. Em geral, as formações em Letras Inglês não abordam disciplinas relacionadas ao ensino bilíngue, tendo em vista que esta é uma demanda social recente.
“É um curso com todas as disciplinas sendo pensadas em torno do ensino bilíngue e conteúdo assertivo na formação deste profissional. Por isso ele é único e vai ser um sucesso”, projetou Alves.
Com a nova graduação, a UEM busca responder a uma transformação no cenário educacional, marcado pela expansão do ensino bilíngue e pela necessidade de profissionais preparados para ensinar inglês desde os primeiros anos da educação básica.
(Fábio Candido/Comunicação UEM)