Setembro reúne datas importantes para a comunidade surda, entre elas o Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), 54 estudantes de graduação declaram surdez ou algum tipo de deficiência auditiva, segundo dados da Diretoria de Assuntos Acadêmicos (DAA). Desses, 19 ingressaram por meio da política de cotas para pessoas com deficiência (PcD).
Parte desses estudantes recebe acompanhamento do Programa Multidisciplinar de Pesquisa e Apoio à Pessoa com Deficiência e Necessidades Educativas Especiais (Propae), vinculado à Pró-Reitoria de Ensino (PEN). Atualmente, 18 estudantes surdos são atendidos pelo Programa, que conta com 14 intérpretes de Libras.
O atendimento começa pelo acolhimento e pela escuta das necessidades apresentadas pelo estudante. A partir dessa escuta, o Propae organiza um plano de atendimento e define o acompanhamento por intérpretes nas atividades acadêmicas.
Para o coordenador do Propae, Fernando Mendonça, garantir condições de permanência envolve também questões estruturais. “Para haver avanços, é necessária a ampliação da política de permanência, garantia orçamentária e a inserção do Programa em um nível administrativo gerencial”, afirma.
Mendonça ressalta que a inclusão não se limita à oferta de recursos e serviços. Ela também passa pelas relações construídas no cotidiano universitário e pela possibilidade de comunicação direta entre pessoas surdas e ouvintes.
Acesso e permanência
Essa dimensão da permanência aparece na experiência universitária de Isadora Maria Santos Grunndemann, estudante de Letras-Português. Quando ingressou na UEM, há cinco anos, ela ainda não dispunha de intérprete de Libras. Naquele período, encontrou apoio entre as colegas de turma. “Esse acolhimento que eu tive das alunas na UEM foi algo que me marcou”, lembra.
Ao longo da graduação, Isadora acompanhou a chegada de novos profissionais. “Com o tempo, teve essa contratação que foi aumentando, abrindo vários editais, então melhorou o acesso”, afirma.
Para a estudante, a interpretação em Libras está diretamente relacionada às condições de permanência na Universidade. “Se não tivesse o intérprete, eu não continuaria meus estudos dentro da Universidade.”
A relação de Isadora com a Libras, porém, antecede a vida universitária. Filha de mãe surda, ela cresceu com a língua presente também no ambiente familiar e relaciona o mês de setembro à própria história e às conquistas da comunidade surda.
“A Libras sempre fez parte da minha vida. Ela me completa como surda – é mostrar quem eu sou, mostrar que eu consigo e que o surdo também tem esse lugar e pode ocupar esse lugar.”
Libras na formação
Na UEM, a Libras também integra a formação acadêmica. Segundo a professora Fabíola Zappiello, do Departamento de Língua Portuguesa (DLP), a disciplina é obrigatória nos cursos de licenciatura e optativa nos bacharelados. Atualmente, a Universidade conta com cinco docentes de Libras, quatro deles surdos.
Para Zappiello, a participação do estudante surdo na vida universitária envolve criar possibilidades de comunicação para além da mediação do intérprete. “A Libras tem que ser a língua de instrução e a língua de interação do estudante surdo”, afirma.
Nesse sentido, o DLP promoveu neste ano dois cursos de Libras destinados à comunidade universitária, um para agentes universitários e outro para docentes, ampliando as possibilidades de comunicação direta com estudantes surdos.
A dimensão linguística da acessibilidade também é destacada pela intérprete de Libras Talita Warken. “A acessibilidade está além de uma rampa e de um piso tátil. A acessibilidade de comunicação existe e, no caso, é a Libras”, afirma.
Para Warken, ampliar o contato da comunidade universitária com a Libras contribui para que a comunicação com estudantes surdos não fique restrita à atuação dos intérpretes e possa fazer parte das relações cotidianas da universidade.
Setembro Surdo
Além do Dia Nacional do Surdo, em 26 de setembro, o mês reúne outras datas relacionadas à comunidade surda e aos direitos das pessoas com deficiência, como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em 21 de setembro; o Dia Internacional das Línguas de Sinais, no dia 23; e o Dia Internacional do Tradutor e Intérprete, no dia 30.
Na UEM, a programação inclui a Roda de Conversa da Comunidade Surda, que será realizada em 25 de setembro, das 8h às 11h30, no Auditório 29 de Abril, Bloco I-12.
Serviço
Roda de Conversa da Comunidade Surda
Data: 25 de setembro de 2026
Horário: das 8h às 11h30
Local: Auditório 29 de Abril – Bloco I-12
(Arieli Prestes/Comunicação UEM)