O prefeito Tiago Amaral apresentou, em entrevista coletiva, nesta terça-feira (29), o Plano de Contenção e Reequilíbrio Fiscal da Prefeitura de Londrina. As ações tem o objetivo de reduzir o déficit financeiro e apresentar soluções para o cumprimento das obrigações do município até o final de 2026. Ao lado do secretário de Fazenda, Éder Pires, do secretário de Planejamento, Marcos Rambalducci, e do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Renan Salvador, o prefeito lembrou do rombo orçamentário de R$ 300 milhões herdados no início da gestão em 2025.
Deste total, R$ 220 milhões foram equacionados pela administração ao longo do ano passado com medidas de equacionamento fiscal, como o contingenciamento de contratos vigentes, revisão do fluxo de horas extras, priorização da fruição efetiva de férias, otimização de frotas, redução de imóveis locados e alienação de imóveis subutilizados e uma ampla reforma administrativa em andamento com a Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Além de medidas de justiça fiscal, como o Regulariza Londrina, o recadastramento imobiliário, negociação e cobranças de dívidas, auditoria de ISS e correção e equidade da taxa de coleta de lixo. O controle de despesas já resultou em economia de R$ 40 milhões ao longo de 2026.
O prefeito Tiago Amaral ressaltou que despesas assumidas em anos anteriores sem previsão orçamentária têm impactado fortemente nas contas do município.
“Precisamos fazer uma correção na rota da cidade em termos de responsabilidade fiscal. Porque despesas assumidas antes de 2025 são impagáveis, como os repasses ao transporte coletivo e o adiamento dos repasses a Caapsml”, frisou. “Estamos realizando cortes na própria carne para que possamos trabalhar dentro de um cenário de manutenção dos serviços, mas com responsabilidade de não assumir custos e depois não ter dinheiro para pagar”.
Mesmo com as iniciativas, o cenário segue desafiador já que o ano de 2026 teve queda na estimativa de receita, com a redução nos valores repassados ao município referentes ao IPVA, Fundeb e Imposto de Renda, na ordem de R$ 124 milhões. Neste cenário, a previsão é que o déficit do município no fim do ano seja de R$ 205 milhões.
O secretário de Fazenda, Éder Pires, explicou que o contingenciamento não será linear, mas feito contrato a contrato e operação a operação. “Como foi realizado na Educação, por exemplo, onde a análise foi feita escola por escola. E tínhamos casos de professores ganhando até 14 mil reais em horas extras e hoje temos um teto de 4,5 mil em horas extras. Alguns contratos serão extintos, outros mantidos. Não teremos um índice único, mas vamos trabalhar com eficiência. Otimizando recursos e aumentando a arrecadação, com redução de inadimplência, irregularidades e sonegação”.
O ambiente de dificuldade revelada agora pela administração é uma realidade que o município tem enfrentado há vários anos, com gastos superiores a arrecadação. Como exemplo, nos anos de 2017 e 2018 o gasto com a despesa corrente foi superior ao total que entrou no caixa da prefeitura.
A falta de recursos fez com que a cidade perdesse a sua capacidade de investimento e as obras e melhorias só não deixaram de acontecer em razão dos investimentos feitos pelo governo do Estado de 2025 para cá. Já são quase R$ 1 bilhão de recursos liberados pelo governo do Paraná, dos quais R$ 279 milhões já estão em execução, em convênios formalizados, sem comprometer o caixa livre do município.
O objetivo com as medidas é sanear a dívida de R$ 205 milhões e tirar o município do vermelho. As medidas serão reavaliadas em 120 dias e novas ações serão implementadas, se forem necessárias.
Transporte Coletivo
O atual contrato do transporte público coletivo, renovado em 2019, trouxe um custo novo e sem limite aos cofres do município. Em janeiro de 2022, foi sancionada uma lei que instituiu um subsidio municipal para custear toda a operação. E este valor tem crescido exponencialmente ano a ano.
Em 2022, o subsídio foi de R$ 37 milhões, em 2023, de R$ 66 milhões e, em 2024, foi de quase R$ 83 milhões. Em 2025, chegou a R$ 172 milhões, após um decreto, assinado em 30 de dezembro de 2024, que aumentou a tarifa técnica de R$ 8,33 para R$ 11,84, sem alterar a tarifa para o usuário. Em 2026, a previsão de subsidio é de R$ 177 milhões. O custo total do transporte coletivo previsto para este ano é de R$ 312.896,791, dos quais 47% são bancados pelo município.
“O subsídio autorizado em dezembro de 2024 daria para mantermos hoje 30 UPAS funcionando em Londrina ou 23 escolas anualmente”, apontou o prefeito Tiago Amaral. “São medidas irresponsáveis que acabam voltando para os cofres do município. Foi um aumento totalmente desproporcional que não deveria ter sido autorizado”.
O custo total da operação mantém em atividade 146 linhas, que atendem todas as regiões da cidade, inclusive distritos e zona rural. Deste total, 25 linhas trazem prejuízo de R$ 75 milhões ao sistema, em razão do número baixo de usuários. Outras 69, não cobrem nem 50% dos custos da operação. Somente nove linha são superavitárias.
Outro dado apontado pelos estudos realizados pela administração municipal é que para o sistema ser saudável financeiramente são necessários que cada ônibus circule com 2,07 passageiros por quilômetro rodada. A média em londrina, nos dias úteis, é de 1,23 passageiros. O número cai para 0,82 aos sábados e 0,43, aos domingos e feriados.
Diante deste cenário, a meta é reduzir a quantidade de viagens em linhas deficitárias e otimizar o intervalo entre as voltas. Não haverá cortes nos números de linhas, as gratuidades serão mantidas, assim como as 31 linhas consideradas de políticas públicas.
O presidente da CMTU, Renan Salvador, ressaltou que o objetivo é aumentar a eficiência da operação em conjunto com as concessionárias e reduzir a quilometragem das linhas que tem pouca demanda de usuários, o que vai impactar diretamente no valor da tarifa técnica.
“A nossa meta é não ter mais ônibus vazios andando pela cidade. Hoje vemos muito esta situação de ônibus vazios pela cidade. A ideia é aumentar o intervalo entre as voltas, sobretudo aos domingos e feriados, onde temos linhas que fazem uma volta completa com dois, três passageiros. Todas as linhas vão passar por um estudo criterioso e teremos até o final do ano diminuição significativa do valor do subsídio a ser repassado”.
“Responsabilidade fiscal é fazer caber as prioridades de hoje sem comprometer as prioridades de amanhã”, concluiu o prefeito.
(Lúcio Flávio Cruz/NCom PML)