A Universidade Estadual de Maringá (UEM) disponibilizou o Relatório de Gestão 2022–2026, publicação que sistematiza os principais resultados alcançados pela gestão ao longo do quadriênio. O documento apresenta um panorama das ações desenvolvidas em áreas estratégicas, como ensino, pesquisa, extensão, infraestrutura, tecnologia, assistência estudantil e saúde, além de registrar iniciativas que avançam para a gestão de 2026–2030.
O balanço alcança o câmpus Sede, os câmpus regionais e o Complexo de Saúde. Entre 2022 e 2026, cerca de R$ 463,9 milhões estão associados a obras, reformas e melhorias, tecnologia, equipamentos, veículos e projetos, entre iniciativas concluídas, em execução ou previstas. As obras concentram a maior parcela desse montante, com aproximadamente R$ 355,3 milhões.
Do montante geral, cerca de R$ 155,6 milhões correspondem ao Complexo de Saúde, entre obras, reformas, equipamentos, tecnologia e projetos em diferentes estágios. O período também foi marcado pela modernização da infraestrutura tecnológica, pela renovação da frota e pela aquisição de equipamentos destinados às atividades acadêmicas, administrativas, de pesquisa e de assistência à saúde.
Para o reitor Leandro Vanalli, a atuação nos últimos quatro anos buscou conciliar as demandas cotidianas da Universidade com um planejamento de médio e longo prazo. "Foram quatro anos de muito trabalho. Não tratamos apenas da agenda responsiva, que é aquela em que temos que resolver, a cada dia, os problemas que se apresentam, mas também da agenda propositiva", afirma.
Entre os avanços que considera estruturantes, Vanalli destaca a recuperação de projetos que permaneceram paralisados por longos períodos. Segundo o reitor, algumas propostas estavam interrompidas havia cerca de 15 anos e precisaram ser atualizadas pelas equipes técnicas para atender às normas vigentes e permitir a busca por recursos.
"Estabelecemos um novo relacionamento com o Estado, com os governos de maneira geral, e conseguimos retomar as obras. Hoje, todas elas estão em fase de construção ou com projetos sendo aprovados e licitados, e muitas já têm recursos garantidos. Entendo que esse é um legado muito importante", avalia.
A vice-reitora e reitora eleita para a gestão 2026–2030, Gisele Mendes de Carvalho, amplia esse balanço ao destacar resultados que ultrapassam a infraestrutura. Entre eles, menciona o atendimento a demandas de departamentos e centros e a aproximação da Universidade com a comunidade interna e externa, prefeituras dos municípios onde a UEM atua e os governos estadual e federal.
"Foi um período muito proveitoso para a Universidade. Os ganhos foram sobretudo infraestruturais, com a retomada de obras paradas, mas também tivemos melhorias em vários aspectos relacionados à assistência e à permanência estudantil, como a retomada das três refeições no Restaurante Universitário", diz.
No ensino, a publicação registra mais de 70 cursos presenciais e a distância e mais de 21 mil estudantes. Entre os resultados do período está a obtenção, pela primeira vez, do conceito máximo no Índice Geral de Cursos (IGC). Novas formas de ingresso também foram adotadas, ampliando as possibilidades de acesso à Universidade.
Na pesquisa e na pós-graduação, a UEM encerra o período com mais de R$ 100 milhões captados junto a agências e instituições de fomento. Na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), referente ao período de 2021 a 2024, a maioria dos programas alcançou conceitos 5, 6 ou 7.
Vanalli inclui ainda entre os resultados do período a recomposição do quadro de pessoal a partir da Lei Geral das Universidades. Segundo ele, a UEM conta hoje com quase 250 docentes e agentes efetivos a mais do que no início do mandato, em 2022.
Na assistência estudantil, além da oferta de café da manhã, almoço e jantar no Restaurante Universitário, o relatório registra a ampliação das possibilidades de isenção para estudantes em situação de vulnerabilidade. O período também reuniu iniciativas de acolhimento e atenção à diversidade e à saúde física e mental da comunidade universitária.
Desafios
Ao tratar do que permanece por fazer, Vanalli observa que o próprio desenvolvimento da Universidade produz novas demandas. "A Universidade é um campo sempre em expansão: novos cursos, novas pessoas, novos alunos, novos desafios. Então, sempre teremos que cuidar do espaço físico e da própria estrutura do campus", explica.
O reitor menciona as intervenções de acessibilidade, as necessidades do Hospital Universitário de Maringá (HUM) e a estrutura dos campi regionais. No HUM, ressalta que a adequação dos espaços precisam acompanhar a demanda assistencial. Nos campi, diz que gostaria de ter avançado na execução de novas obras durante o mandato.
"Quatro anos é muito pouco nesse processo que foi retomar obras, atualizar projetos e resgatar diálogos com o governo e também com a sociedade civil organizada. Mas acredito que os passos foram dados. Eles servem também de exemplo para a nova gestão que vem, à qual desejamos pleno sucesso", pondera Vanalli.
Próximo quadriênio
Para a gestão 2026–2030, Gisele coloca entre as prioridades o aprofundamento das políticas de permanência, a valorização das carreiras docente e técnica e a contratação de agentes universitários. A criação de uma Pró-Reitoria de Permanência, Assistência e Inclusão integra as propostas apresentadas para o novo período.
No Restaurante Universitário, a intenção é avançar além das políticas de assistência já existentes. Gisele cita como proposta ampliar o subsídio às refeições, com a perspectiva de alcançar a gratuidade para estudantes de graduação. A reitora eleita também defende maior representação estudantil nos conselhos superiores.
"A luta agora nessa gestão vai ser, sim, pela infraestrutura, por fazer o básico, por limpar o campus para começar, fazer aquele pequeno que gera o grande efeito, mas também, sobretudo, pelas carreiras docente e técnica, pela assistência e permanência estudantil, pelas pessoas", declara. "A gente sabe que nem só de obras vive o nosso campus. Eu sempre reitero a preocupação com as pessoas", acrescenta.
No HUM, Gisele aponta a questão das carreiras entre os desafios a enfrentar. No Complexo de Saúde, cita ainda o Centro Cirúrgico e o Bloco Industrial entre as intervenções que seguem em andamento na transição entre as gestões.
A moradia estudantil também aparece entre as prioridades apontadas por Gisele. Ela menciona a possibilidade de implantação de auxílio-moradia e a retomada da Casa do Estudante. Na infraestrutura acadêmica, cita ainda a retomada ou reprogramação das obras dos blocos de Medicina, Enfermagem, Química, Artes e Psicologia, para as quais pretende buscar investimentos.
"Retomamos muitas obras, mas muitas delas ainda precisam de investimento para o futuro. E eles virão", ressalta.
A gestão 2026–2030 terá, assim, o desafio de conduzir iniciativas já encaminhadas e, simultaneamente, avançar sobre demandas que permaneceram abertas ao fim do atual quadriênio.
(Arieli Prestes/Comunicação UEM)