Entre as referências que atravessam este trabalho estão as escritoras Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, cujas obras contribuem para pensar memória, escrita, identidade e a experiência de mulheres negras no Brasil. O espetáculo também incorpora a força dos Vissungos do Rosário, cantos de origem bantu preservados na tradição mineira, que integram a atmosfera sonora da montagem e estabelecem uma conexão com a ancestralidade.
Mais do que reconstruir histórias, “Olhos d’Água: Diário de uma Ausência” propõe uma reflexão sobre quem é lembrado, quem é apagado e quais histórias chegam aos registros oficiais e à memória coletiva. A cena se transforma em um espaço de escuta e de presença, onde documentos, relatos e memórias ganham corpo e voz. O NUTEN é um coletivo comprometido com a produção de um teatro negro, antirracista e socialmente engajado. O grupo desenvolve trabalhos que dialogam com o teatro documental, a poética negra e questões sociais contemporâneas.
Após a apresentação, o público será convidado para uma roda de conversa mediada, com o objetivo de ampliar o espaço de escuta e diálogo provocado pelo espetáculo. De acordo com a atriz Camila Sena, as trocas com o público, especialmente com mulheres negras, também integram o processo contínuo de pesquisa da obra. Ela assina a dramaturgia da peça, ao lado de Roberto Sales.
Neste projeto de circulação, o espetáculo já foi apresentado nos espaços Canto do Marl, Norte cultural, Casa da Vila e Usina Cultural; outras duas sessões estão previstas para os meses de novembro e dezembro.
Serviço: Espetáculo “Olhos d’Água: Diário de uma Ausência”
Data: 10 de outubro, sábado
Horário: 19h
Local: Vila Cultural Casa da Vila (Rua Uruguai, 1656, Vila Brasil)
Ingressos gratuitos – retirada antecipada pela plataforma Sympla
Classificação: 10 anos. Apresentação com tradução em Libras.
(Texto: NCom PML. Foto: Divulgação)