Da educação básica ao doutorado, Renata de Paula dos Santos construiu sua formação em instituições públicas. Hoje, do outro lado da sala de aula, participa da formação de novos profissionais na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Há pouco mais de um ano na instituição, encontrou na carreira universitária a oportunidade de concentrar sua atuação no ensino, na pesquisa e na extensão, depois de conciliar os estudos com outras atividades profissionais.
Para Santos, a conquista ultrapassa a realização pessoal. Sua trajetória também evidencia a importância da representatividade de mulheres negras no ensino superior, especialmente entre estudantes que reconhecem na educação pública um caminho para novas oportunidades.
Celebrado nesta quinta-feira (15), o Dia do Professor é uma oportunidade para conhecer histórias de quem se dedica à formação de pessoas e à produção do conhecimento. Na UEM, diferentes gerações compartilham uma profissão marcada por mudanças, descobertas e experiências que ultrapassam os espaços acadêmicos.
Entre gerações
Quando iniciou a carreira no magistério superior, em 1988, na UEM, Reginaldo Benedito Dias acompanhava os primeiros passos da popularização dos computadores. Até 1991, conciliou a docência universitária com o ensino fundamental, quando passou a atuar em regime de dedicação exclusiva.
Em 38 anos, testemunhou a expansão da internet, a consolidação das tecnologias digitais e as mudanças na relação dos estudantes com o conhecimento. Professor da área de História, Dias considera que essas transformações também desafiam os docentes a sair da zona de conforto.
“Uma das coisas mais gratificantes da vida docente é o contato permanente com as novas gerações. A idade do professor avança a cada ano, mas os alunos, na média, têm a mesma idade”, observa.
Inspirado na concepção de educação dialógica de Paulo Freire, ele compreende a aprendizagem como uma relação de troca. Na história do tempo presente, sua área de atuação, o diálogo com os estudantes ganha relevância diante das constantes transformações sociais.
Outra satisfação da carreira é reencontrar antigos alunos que seguiram a profissão. Alguns se tornaram colegas na própria UEM; outros atuam em instituições de ensino superior ou na educação básica.
A disposição para continuar ensinando também marca a trajetória de Ednaldo Michellon. Professor do Departamento de Agronomia (DAG) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PCE), ele acumula 36 anos na UEM e 41 de serviço público. Mesmo já podendo ter se aposentado, permanece em atividade.
“A Ciência é fascinante e desafiadora todos os dias”, afirma Michellon. Para ele, a permanência na carreira está relacionada à alegria renovada de ser professor e à disposição para continuar contribuindo com o ensino, a pesquisa e a extensão.
Ensinar, em sua perspectiva, envolve mais do que transmitir conteúdos. A orientação, o acompanhamento e o exemplo também fazem parte de uma formação comprometida com a vida dos estudantes.
Para além da sala de aula
A docência também se realiza no contato direto com os desafios da sociedade. Para Marcelo Farid, os projetos de extensão oferecem aos estudantes a oportunidade de aplicar conhecimentos acadêmicos, compreender diferentes realidades e desenvolver soluções para problemas concretos.
Entre as iniciativas citadas pelo professor está o Programa Paraná Empreende Mais, que busca oferecer capacitação e orientação a pequenos empresários, microempreendedores individuais e pessoas interessadas em empreender. Farid também destaca o Hub de Inovação Fronteira, que aproxima a comunidade acadêmica de empresas e instituições parceiras para o desenvolvimento de soluções inovadoras.
“Nessas experiências, os estudantes aprendem algo que dificilmente seria possível apenas dentro da sala de aula: compreender problemas reais, ouvir as necessidades das pessoas, trabalhar em equipe, desenvolver soluções e transformar conhecimento em resultados concretos”, destaca.
O aprendizado, segundo Farid, não acontece em uma única direção. Ao entrar em contato com as demandas da comunidade, os professores também encontram novas perspectivas para suas atividades acadêmicas.
“Como professor, considero essa interação extremamente enriquecedora, pois a extensão estabelece uma relação de aprendizado mútuo”, afirma.
A professora Sônia Trannin de Mello, diretora da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PEC), amplia essa reflexão ao destacar a dimensão cultural da extensão universitária. Para ela, aproximar a Universidade da população significa reconhecer diferentes saberes e criar oportunidades de participação e convivência.
Um exemplo é a Festa Literária Internacional de Maringá (Flim), cuja 13ª edição começou nesta quarta-feira (14). Ao promover encontros em torno da literatura, da arte e da cultura, o evento favorece a circulação de ideias e o diálogo entre diferentes públicos.
“A transformação nem sempre acontece de maneira imediata ou pode ser medida apenas por resultados concretos; muitas vezes, começa com uma conversa, uma descoberta, um livro compartilhado, uma pergunta que desperta interesse ou uma ideia que passa a circular e mobilizar novas iniciativas”, observa Mello.
Na avaliação da professora, a extensão exige escuta, sensibilidade e disposição para construir conhecimentos com a comunidade, reconhecendo experiências que também contribuem para a formação universitária.
O significado de ensinar
A reitora da UEM, Gisele Mendes de Carvalho, ressalta a contribuição dos professores para a formação profissional, a pesquisa e o desenvolvimento científico. Em sua avaliação, o trabalho docente está presente tanto nas experiências vividas durante a graduação quanto nas atividades acadêmicas que produzem novos conhecimentos e alcançam a sociedade.
Carvalho também destaca a importância de reconhecer o papel dos educadores na trajetória dos profissionais formados pela instituição e na construção da história da Universidade.
A celebração de 15 de outubro remete ao decreto imperial de 1827 que estabeleceu diretrizes para o ensino das primeiras letras no Brasil. Em 1963, a data foi oficializada nacionalmente como feriado escolar, consolidando-se como uma ocasião de reconhecimento aos professores.
Da chegada de Renata à experiência acumulada por Reginaldo e Ednaldo, passando pelos projetos de Marcelo e Sonia, as histórias mostram que a docência não se limita ao conhecimento transmitido. Também se constrói nas relações, nos desafios compartilhados e na disposição de aprender com cada nova geração.
Docência na UEM: quadro atual e qualificação
A Universidade Estadual de Maringá conta com 1.681 professores em atividade, sendo 1.248 efetivos e 433 temporários, conforme levantamento da Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRH). Em 2026, foram registrados 306 ingressantes: 46 efetivos e 260 temporários.
Do total de docentes, 1.473 atuam no Campus Sede, em Maringá, e 208 estão distribuídos pelos câmpus de Umuarama, Goioerê, Cianorte, Ivaiporã e Arenito.
Em janeiro deste ano, a UEM publicou edital de concurso público com 73 vagas para professores efetivos, distribuídas por 65 áreas do conhecimento em sete centros de ensino. A instituição também abriu processo seletivo para professores colaboradores em 76 áreas.
Na qualificação profissional, a Universidade mantém o Plano Anual de Capacitação Docente (PACD), cujo planejamento para 2026 foi homologado pelo Conselho de Administração.
A docência em números
- 1.681 professores em atividade
- 1.248 docentes efetivos
- 433 professores temporários
- 306 ingressantes em 2026
- 1.473 docentes no Campus Sede
- 208 docentes nos câmpus regionais
Fontes: Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRH), editais e documentos institucionais da UEM.
A homenagem ao Dia dos Professores também ganhou uma versão audiovisual, disponível no Instagram e no YouTube oficiais da UEM.
(Arieli Prestes/Comunicação UEM)