Na sexta-feira, 16, Dia Mundial da Alimentação, a Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS), junto ao Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea), realizou o 2º Fórum Municipal e Intermunicipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Maringá, aberto para a população. O encontro debateu sobre o tema “Violência Contra Mulheres e Insegurança Alimentar: Impactos Sociais, Econômicos e Desafios para a Garantia de Direitos à Alimentação”.
A programação ocorreu no auditório Dona Etelvina, na Unicesumar, e incluiu apresentações culturais, palestras e debates sobre políticas públicas. Pela manhã, o Grupo de Cantoria do Serviço Social do Comércio (Sesc) se apresentou. À tarde, foram realizadas mesas-redondas, com o tema “Trabalho com mulheres” e “Manipulação, prevenção de desperdícios e reaproveitamento de alimentos”.
O secretário de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa, Leandro Bravin, destacou o trabalho desenvolvido pelo município e a intenção de ampliar as iniciativas de acesso à alimentação de qualidade.
“Nosso objetivo é ampliar as políticas de segurança alimentar em Maringá, garantindo que as pessoas em situação de vulnerabilidade tenham acesso à alimentação de qualidade. Estamos trabalhando no desenvolvimento de iniciativas que fortaleçam essa rede de atendimento e ampliem o suporte às famílias que mais precisam”, comentou.
Entre as iniciativas citadas pelo secretário estão o Restaurante Popular do Jardim Alvorada, recém-inaugurado, e o atendimento à população em situação de rua, que recebeu mais de 17 mil lanches em 2026. Bravin também mencionou o projeto de implantação de uma Cozinha Central para os Restaurantes Populares em 2027, com capacidade prevista para produzir 4 mil refeições por dia.
A socióloga Lenir de Assis ministrou uma palestra sobre violência contra a mulher e segurança nutricional e destacou a participação da população na construção e no acompanhamento das políticas públicas. “Se ficamos ausentes, a gente não conhece o que tem e não tem nem condição de avaliar e cobrar. Por isso, queremos estar mais próximos e ter mais acesso”, exemplificou.
Andreia dos Santos, psicóloga na SAS, abordou os desafios enfrentados por pessoas em situação de vulnerabilidade e a necessidade de desenvolver políticas públicas que considerem essa realidade. “Este momento nos permite refletir sobre a realidade de Maringá e propor políticas públicas voltadas a populações vulneráveis. Nesse cenário, é imprescindível pontuar a violência contra a mulher, porque precisamos pensar estratégias para a prevenção e, principalmente, para a segurança alimentar dessas vítimas”, disse.
A presidente do Comsea, Cirlene Picolo, explicou a escolha do tema e a relação com a garantia de direitos das mulheres e de seus filhos. “Nós observamos que a insegurança alimentar é uma das questões que impedem a mulher de sair do ciclo de violência, por isso decidimos abordar essa questão no Fórum de Segurança Alimentar. Para sair da violência, principalmente a doméstica, é fundamental para a mulher a garantia de que ela terá dignidade alimentar, para ela e para seus filhos”, afirmou.
O chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), Jucival de Sá, também relacionou a violência de gênero às condições de alimentação e ao bem-estar das famílias. “Temos que trabalhar a violência de gênero porque ela afeta também na qualidade da alimentação. Uma mulher que sofre violência não poderá cuidar direito do seu filho, da sua casa, porque está com medo”, ressaltou.
José Righetti, do Escritório Regional do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, elencou fatores que precisam ser considerados na formulação de propostas para enfrentar os desafios da segurança alimentar. “Segurança alimentar e nutricional não é só colocar comida na mesa, vai muito além. Envolve o acesso, a qualidade dessa alimentação e todas as ações que devem dar suporte para que possamos superar os desafios e construir propostas que sejam efetivas”, comentou.
(Texto: Comunicação PMM. Foto: Rafael Macri/PMM)