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Unati da UEM completa 16 anos e fortalece a educação ao longo da vida
Por Administrador
Publicado em 29/10/2026 17:32
Notícias de Maringá

Uma senha nas mãos, um auditório cheio e a expectativa de ouvir o número sorteado. Foi assim que Elpídio Pereira Castro conseguiu, em 2012, uma vaga na Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Mais de uma década depois, ele ainda se lembra dos professores, das aulas e, sobretudo, da oportunidade de continuar aprendendo.

“Tive essa expectativa de ser algo muito importante para a minha vida, como de fato foi”, recorda.

Criada em dezembro de 2009, a Unati recebeu sua primeira turma em 2010, com 329 inscritos. Em 2026, completa 16 anos desde o início das atividades e reúne 666 participantes neste segundo semestre. As aulas são gratuitas e abertas a pessoas com 60 anos ou mais, independentemente da escolaridade. Entre as atividades estão fotografia, inclusão digital, música, artes e cidadania.

Uma universidade pensada para todas as idades

A história começou em 2008, quando uma comissão de professores apresentou ao então reitor Décio Sperandio a proposta de um espaço de ensino, pesquisa e extensão dedicado às questões do envelhecimento. Presidida pela professora Marly Lamb, do Departamento de Psicologia, a comissão tinha como vice-presidente Cláudio Stieltjes, do Departamento de Filosofia, e contava também com Sheila Regina de C. Martins, da Psicologia, e Regina Taam, do Departamento de Teoria e Prática da Educação.

Com o apoio de Sperandio e do então vice-reitor Mário de Azevedo, o Conselho Universitário (COU) aprovou a criação da Unati em 14 de dezembro de 2009, pela Resolução nº 034/2009-COU. A unidade passou a integrar a estrutura da UEM como órgão suplementar vinculado à Reitoria, com participação de diferentes departamentos.

Taam, primeira coordenadora pedagógica e, posteriormente, coordenadora-geral, ajudou a estruturar a proposta educativa. Em 2016, ao se aposentar, foi homenageada pelos estudantes, ao lado de Stieltjes, pelo pioneirismo na iniciativa. A professora morreu em fevereiro de 2023.

Depois das atividades remotas durante a pandemia de Covid-19, a Unati inaugurou, em outubro de 2022, sua sede no bloco A-38 do campus Sede, com salas de aula, auditório e laboratório de informática. A programação é renovada semestralmente. No segundo semestre de 2026, são oferecidas 38 disciplinas em áreas como saúde e qualidade de vida, linguagens e comunicação, tecnologia, artes, cultura e cidadania.

Para a coordenadora Lígia Carreira, uma das conquistas mais significativas é o reconhecimento das pessoas idosas como parte da comunidade universitária. “A convivência também transforma a Universidade: aproxima gerações, promove a troca de saberes e experiências e fortalece relações de respeito e solidariedade”, afirma.

O que fica depois das aulas

Quando Castro fala dos primeiros anos, os nomes dos professores aparecem antes dos conteúdos. Ele se lembra das aulas de literatura, história e música e, principalmente, dos encontros sobre autoestima conduzidos pela professora Maria de Jesus. Deles, guardou uma lição: olhar para o presente e encontrar motivação para seguir adiante.

“É o meu presente que eu tenho que dar seguimento, dar o próximo passo”, diz.

A fotografia como descoberta e encontro

Galeria de imagens fotográficas dos alunos

Maria Cristina Canaça Moreira chegou à Unati em 2024, num momento de mudança. Recém-aposentada, havia deixado Curitiba e conhecia pouca gente em Maringá além da família. A vontade de frequentar a instituição, porém, era antiga: Júlia Donida, amiga de sua mãe e aluna da Unati desde os primeiros anos, falava das aulas com tanto entusiasmo que Moreira esperou completar 60 anos para se matricular.

Hoje, Moreira frequenta fotografia, hidroginástica e origami. Nas aulas de fotografia, encontrou outra forma de observar o cotidiano e de conhecer pessoas. “Não é só um registro, é um olhar que mudou, são todas as informações que o professor traz a todas as aulas”, explica. 

Algumas das fotografias de Moreira, feitas durante uma apresentação teatral, integraram a primeira exposição Arte que Acolhe, Cultura que Inspira, realizada de 5 a 30 de outubro na Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE) da UEM. A mostra reuniu trabalhos desenvolvidos em disciplinas e projetos da Unati, como Fotografia e Seus Encantos, Memórias de Brinquedos, Jogos e Brincadeiras, Educação e Meio Ambiente: Economia Circular, Origami e Bola de Meia, Bola de Gude. 

A exposição deu visibilidade à produção dos estudantes e às diferentes formas de expressão desenvolvidas nas atividades. Nas aulas de fotografia, conduzidas pelo professor Celso Ikedo, os participantes também observam e comentam os trabalhos dos colegas. Para Moreira, que chegou à cidade conhecendo poucas pessoas além da família, esses encontros se tornaram parte importante da experiência de aprender.

Ela não pretende deixar a disciplina. “Esses dias me perguntaram: ‘De novo você vai fazer fotografia?’. Eu vou fazer fotografia sempre”, conta.

A produção dos estudantes ultrapassa os espaços da Universidade. Em 2025, Agostinho Rhoden, que ingressou na Unati em 2023, no curso de fotografia, conquistou o primeiro lugar no 9º Concurso Fotográfico “As Árvores do Passeio Público de Maringá”, promovido pela Câmara Municipal de Maringá. Para ele, fotografar vai além da técnica: “A fotografia é um momento, é uma espontaneidade, é uma manifestação artística”, afirma. 

Um jornal para falar do presente

O desejo de participar também motivou a retomada de um jornal produzido pelos próprios estudantes. O pedido veio tanto de quem havia integrado a experiência anterior quanto de quem conhecia o projeto. Antigos exemplares guardados pelos alunos ajudaram a recuperar essa história.

Retomado como projeto de extensão em 2026, o Jornal Digital da Unati envolve rodas de conversa, escolha de pautas, produção de textos e estudos de linguagem jornalística. A graduanda em Artes Visuais da UEM Mariana Muneratti, que conduz as atividades pedagógicas do projeto, destaca o interesse dos participantes por assuntos atuais.

“Eles querem o jornal, não tanto para ficar relembrando o passado. Eles querem o jornal mesmo pensando num futuro, numa participação presente”, observa.

Uma das matérias abordou a importância de continuar votando depois dos 70 anos, idade a partir da qual o voto é facultativo no Brasil. Outras trataram de iniciativas ambientais e das mudanças nas relações pessoais provocadas pelo uso do celular. São temas que mostram a disposição dos estudantes de participar do debate público.

A primeira edição dessa nova fase foi publicada em junho de 2026. Segundo a coordenação da Unati, até outubro, essa era a única edição lançada desde a retomada, agora em formato digital. Alguns estudantes fizeram cópias para entregar aos professores, e exemplares foram destinados à biblioteca da Unati. A publicação também circula digitalmente entre familiares e amigos.

O conhecimento também faz o caminho de volta

Ao completar 16 anos de atividades, a Unati evidencia uma dimensão da universidade pública que vai além da formação profissional. Segundo Carreira, a convivência com pessoas idosas contribui também para a formação humana dos universitários, que passam a conhecer de perto experiências e demandas de diferentes gerações.

“É também um espaço de troca: a Universidade compartilha conhecimentos e aprende com as histórias, os saberes e as experiências das pessoas idosas”, afirma.

Para Elpídio, a Unati representa uma “expectativa nova de vida”. Para Maria Cristina, a mudança começa logo cedo:

“O acordar é mais saboroso”.

Serviço

Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati/UEM)

Público: pessoas com 60 anos ou mais, independentemente da escolaridade.

Atividades: gratuitas.

Local: bloco A-38, campus Sede da UEM.

Inscrições: semestrais, conforme calendário divulgado pela coordenação. O período para o segundo semestre de 2026 foi de 20 a 29 de julho.

Site: unati.uem.br

Telefone: (44) 3011-8995

E-mail: unati@uem.br

(Arieli Prestes/Comunicação UEM)

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