A campanha Novembro Azul, de incentivo à prevenção e combate ao câncer de próstata, é realizada em todo o Brasil para alertar a importância do autocuidado e prevenção de doenças entre os homens. O foco das ações é o câncer de próstata, considerado o tipo de câncer mais comum no País, atrás somente do câncer de pele não-melanoma. Anualmente, são registrados, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), quase 80 mil casos de câncer de próstata, com cerca de 18 mil mortes anuais ou uma média de 50 mortes diárias. Isso representa cerca de 29% de todos os casos de câncer registrados no Brasil.
De acordo com o médico urologista do Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Andre Luiz Vilella, o diagnóstico precoce da doença é fundamental para a efetividade do tratamento. “É de suma importância a conscientização dos pacientes em relação ao diagnóstico precoce. O diagnóstico em fases avançadas, ou até mesmo em metástase, diminui muito as possibilidades de cura. Precisamos avançar em três frentes: na conscientização da população, no acesso aos serviços de saúde e no incentivo à avaliação periódica do homem”, avalia.
O urologista avalia que a “cultura masculina” de não procurar tratamento médico, aliada ao preconceito, dificulta ainda mais o combate à doença. “Ainda há muita resistência e desinformação. Embora tenhamos avançado muito nisso, ainda há uma parcela que associa a prevenção com o toque retal e à perda da masculinidade, à vergonha etc.”, explica.
Aumento de casos antes dos 50 anos
Segundo Villella, homens que têm mãe com câncer de mama, pai ou irmão com câncer de próstata, homens negros e ou obesos devem antecipar os exames da doença para os 45 anos - a idade considerada pelo Ministério da Saúde para o diagnóstico para os homens em geral, sem fatores de risco, é de 50 anos. No entanto, o médico avalia que não existe uma recomendação única para todos os homens. “O rastreamento deve ser feito de acordo com as características de cada indivíduo”, pondera.
O Brasil tem registrado aumento de casos antes dos 50 anos, mas, segundo o médico, isso deve ser ponderado. O câncer de próstata continua sendo muito mais frequente após os 60 anos de idade, sendo incomum, ainda, em homens com menos de 50 anos. No entanto, devido a alguns fatores como estilo de vida (sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade), alterações metabólicas e até influências ambientais.
O aumento do diagnóstico, explica, também é um fator que pode dar a entender um aumento de casos. Com o avanço tecnológico, é cada vez mais possível identificar a doença de forma precoce. “O importante é não criar uma preocupação desnecessária, sem deixar de negligenciar homens jovens com fatores de risco e histórico de câncer na família. Tudo isso merece uma investigação individualizada”.
Estilo de vida e prevenção
A melhor forma de agir contra o câncer de próstata é apostar num estilo de vida saudável. Hábitos como alimentação equilibrada, com frutas, legumes, verduras e fibras, evitando alimentos e carnes ultraprocessados; a manutenção de uma rotina de atividades físicas, tanto aeróbicas quanto de fortalecimento muscular; e controle do tabagismo e do consumo de álcool.
Entretanto, o especialista alerta que bons hábitos, embora essenciais, não substituem o acompanhamento e realização de exames periódicos. “Conhecer o histórico familiar e manter os exames sempre é primordial. Prevenção não é só fazer exame uma vez por ano: é construir uma rotina de cuidados com a saúde ao longo de toda a vida.”
(Willian Fusaro/Comunicação HUM)