Quando a presença feminina no Carnaval ainda era limitada, uma voz se ergueu na avenida em Curitiba. Mãe Orminda foi a primeira mulher a puxar um samba-enredo no Paraná e uma das primeiras no Brasil, ao lado de nomes como Elza Soares e Clara Nunes.
Paranaense com trajetória em Curitiba, a sambista completa 70 anos de carreira marcada pelo amor à música, que será comemorado nesta semana, em um encontro de gigantes.
Na sexta-feira (18/9), às 19h, Mãe Orminda recebe a carioca Áurea Martins, no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba para uma conversa. O bate-papo será mediado pelo jornalista e produtor cultural Rodrigo Browne, com entrada grátis.
No sábado, às 20h, e domingo, às 19h, as duas cantam no Teatro do Paiol, com ingressos a partir de R$ 15 (meia), disponíveis no site Compre no Zet. O evento é resultado de projeto aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura.
As origens
Nascida em Ipiranga, interior do Paraná, Orminda de Oliveira Rosa se mudou ainda criança para Curitiba com a família. E também começou cedo seu envolvimento com a música. “Quando eu cantei pela primeira vez em público, era tempo da Rádio Guairacá. Eu tinha 12 anos e fui escondida do meu pai”, revelou Orminda.
Ela começou a trabalhar com 18 anos no serviço público e não pensava no canto como carreira. Em 1975, era escrivã de polícia da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, e só podia cantar quando não estava de plantão.
Mãe Orminda integrou o grupo de partido alto Impacto 8, no qual tocou com outros nomes de peso do samba curitibano: Edmundo Hess, o Didi do Cavaco, e Ismael Cordeiro, o Maé da Cuíca. A banda se apresentava nos clubes famosos da noite.
A escrivã, ainda tratando a música como diversão no tempo livre, passou a frequentar o pátio de ensaio da Sociedade Dom Pedro II. Lá, o sobrinho que fazia parte do grupo a convidava para cantar e ajudar no ritmo dos instrumentos.
Os enredos do samba
Do Rio de Janeiro, vinham os LPs de gravações das escolas de samba, que eles ensaiavam para tocar nos blocos da cidade. “Chegava aqui, a gente pegava a letra e decorava para cantar nos eventos, nas rádios”, conta Orminda.
A escola da Sociedade Dom Pedro II foi subindo nos grupos do Carnaval curitibano. Quando chegou ao Grupo A, para o Carnaval de 1978, era preciso de um samba-enredo, e alguém para puxá-lo na avenida. A música foi feita por Nelson Santos, conhecido carnavalesco da cidade. A escola teria convidado um puxador do Rio de Janeiro, que cobrou muito caro e não viria mais à capital paranaense. Convidada, Orminda confirmou com a escola sua participação.
Uma voz na bateria
Mãe Orminda saiu no meio da bateria, e não no carro. O jornalista Claudio Ribeiro, que comentava o evento, ao ver o cortejo dos sambistas teria exclamado: “eu não acredito, uma mulher cantando o samba-enredo!” Orminda lembra da avenida, cheia, levantando para ver quem era. E o jornalista arrematou: “e é a Mãe Orminda”.
Carreira
Mãe Orminda continuou envolvida com o samba curitibano, em várias frentes. “Depois que me aposentei, montei em 1992, o grupo Divina Luz”, pontua. A cantora manteve o grupo por décadas, chegou a gravar discos, até a chegada da pandemia.
Em 2023, ao completar 80 anos, teve um show especial comemorativo no Teatro do Paiol. Agora, retorna ao teatro com outra artista de renome, Áurea Martins. A carioca, aos 86 anos, também fez parte da evolução do samba. Sua voz encantou a boemia do Rio de Janeiro e também ganhou o Brasil, com gravações mais recentes e até uma indicação ao Grammy Latino.
O repertório dos shows do fim de semana segue clássicos do samba. Áurea já gravou “Alvorecer”, de Dona Ivone Lara, por exemplo, e traz agora para a apresentação com Mãe Orminda. Há ainda “Rugas”, de Nelson Cavaquinho e que ficou famosa na voz de Zeca Pagodinho, entre outras surpresas.
Serviço
Bate-papo – Mãe Orminda convida Áurea Martins
Sexta-feira (18/9), às 19h
Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba (R. Mateus Leme, 66 - São Francisco)
Mediação: Rodrigo Browne
Entrada: gratuita
Shows – Mãe Orminda convida Áurea Martins
Sábado (19/9), às 20h, e domingo (20/9), às 19h
Teatro do Paiol (R. Cel. Zacarias, 51 - Prado Velho)
Ingressos: a partir de R$ 15 (meia)
Vendas: Compre no Zet
(Texto: SECOM PMC. Foto: Cido Marques/FCC (arquivo)