Considerada a primeira casa construída em Maringá, a sede do Museu da Bacia do Paraná (MBP) poderá passar por uma intervenção destinada a assegurar sua conservação e ampliar suas possibilidades de utilização. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) avança na elaboração do projeto executivo de restauro da edificação histórica, atualmente em fase final de desenvolvimento.
Antiga residência de um dos administradores da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), a construção de madeira foi desmontada de sua localização original e remontada no Campus Sede da Universidade. Tombado como patrimônio histórico, o imóvel exige soluções arquitetônicas que conciliem a recuperação de sua estrutura com a preservação das características originais.
Preservação e ampliação
A principal intervenção prevista é a elevação da casa para permitir a construção de um pavimento inferior. Segundo o professor Ricardo Dias Silva, coordenador do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos (LAPHA) da UEM, a solução busca enfrentar um dos problemas mais persistentes da edificação: a umidade proveniente do solo, agravada pela baixa altura da estrutura.
O novo pavimento poderá praticamente dobrar a área disponível para as atividades do museu, além de proporcionar maior destaque visual à construção para quem circula pela avenida Colombo.
“A casa é importante como um elemento do próprio museu”, observa Silva, ao destacar que o imóvel também constitui parte fundamental do patrimônio preservado pela instituição.
Entre as possibilidades de utilização do subsolo está a implantação de uma reserva técnica climatizada, destinada à conservação do acervo. A distribuição desses ambientes deverá considerar as necessidades dos responsáveis pelo museu.
A proposta também contempla a construção de um anexo para abrigar instalações administrativas, sanitários e espaços de apoio aos pesquisadores. Com a transferência dessas funções, os ambientes da residência histórica poderão ser destinados prioritariamente à visitação e às atividades culturais.
O desenvolvimento do projeto arquitetônico foi acompanhado por Silva, com a colaboração de três estudantes vinculadas às atividades do laboratório. O engenheiro Everaldo Pletz, especialista em estruturas de madeira, foi contratado como responsável técnico pelo projeto estrutural e pela recuperação dos elementos construtivos da casa.
A iniciativa resulta de discussões iniciadas no Comitê Gestor Cultural, em articulação com a Gerência de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de Maringá (Semuc), a administração central da UEM, a Diretoria de Cultura (DCU), a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PEC) e os responsáveis pelo museu. As tratativas buscaram assegurar que a proposta atendesse às exigências de preservação aplicáveis ao patrimônio tombado.
Investimento e próximas etapas
O orçamento estimado para a execução da intervenção é de aproximadamente R$ 3 milhões. O valor contempla a recuperação da edificação, a construção do pavimento inferior e a implantação do anexo.
De acordo com o diretor de Cultura da UEM, André Rosa, a elaboração dos projetos técnicos, memoriais descritivos e orçamento constitui uma etapa necessária para iniciar as negociações de financiamento.
Os recursos ainda não estão assegurados. A Universidade pretende buscar alternativas de captação, incluindo emendas parlamentares e a participação de diferentes instituições e fontes financiadoras.
Por essa razão, ainda não existe cronograma definido para o início e a conclusão das obras. A possibilidade de execução em etapas também dependerá das condições de financiamento.
Uma casa aberta à cultura e ao conhecimento
Além de recuperar um patrimônio arquitetônico de Maringá, a iniciativa propõe uma nova organização para o funcionamento do museu.
Segundo André Rosa, a intenção é transformar a residência restaurada em uma casa-galeria, capaz de receber exposições de arte, cultura e ciência, além de encontros, saraus e ações educativas. A estrutura complementar deverá oferecer melhores condições para a conservação, a consulta e o estudo das coleções.
“Vejo essa iniciativa como a retomada de um equipamento cultural e científico de grande importância para a nossa Universidade”, afirma o diretor.
A proposta aponta para uma nova etapa na história do Museu da Bacia do Paraná, na qual a recuperação de sua sede poderá abrir caminho para ampliar o acesso público ao patrimônio e às atividades desenvolvidas pela instituição.
Museu da Bacia do Paraná: patrimônio e memória
O Museu da Bacia do Paraná surgiu com o propósito de incentivar pesquisas sobre a região da bacia hidrográfica do Rio Paraná e preservar registros da formação histórica de Maringá e de seu entorno.
Seu acervo teve origem em uma coleção entomológica, posteriormente enriquecida por doações da população e de instituições. Entre as contribuições da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná estão documentos, fotografias, álbuns históricos, aparelhos topográficos, equipamentos de escritório e outros materiais relacionados à colonização da região.
Ao longo de sua trajetória, o museu desenvolveu exposições e projetos dedicados à imigração, às manifestações culturais, à memória política e às transformações da vida cotidiana.
Suas atividades ultrapassam a conservação de objetos históricos, alcançando os campos do ensino, da extensão e da investigação científica. Esse compromisso orienta a perspectiva de aproximar o patrimônio preservado da produção contemporânea de conhecimento e da participação da comunidade.
(Arieli Prestes/Comunicação UEM)