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Em Curitiba, inspiradas em símbolos africanos, aposentadas criam xilogravuras para ecobags
Por Administrador
Publicado em 18/09/2026 00:15
Notícias do Paraná

Arte, literatura e ancestralidade se encontraram na tarde de quinta-feira (17/9), no Centro de Referência Afro Enedina Alves Marques (Creafro), durante uma oficina de xilogravura em ecobags promovida pelo Programa Vida Nova. A atividade apresentou aos participantes os Adinkras, símbolos visuais de origem africana, e propôs a criação de estampas inspiradas nesses elementos.

A oficina foi ministrada pela escritora Maísa Cardoso e pela ilustradora Day Cortes, autoras do livro Mora em mim uma história, obra que combina a literatura de cordel com os Adinkras. A publicação utiliza os símbolos como ponto de partida para histórias e reflexões sobre valores, ensinamentos e sabedoria ancestral.

Durante a atividade, Maísa apresentou aos participantes alguns dos significados associados aos Adinkras e também compartilhou versos de cordel. A proposta foi aproximar duas manifestações culturais de diferentes origens. 

“Os Adinkras trazem uma sabedoria africana ancestral, enquanto o cordel é uma das principais expressões da literatura brasileira. A ideia é valorizar essas duas culturas e trabalhar tudo em forma de cordel”, explicou Maísa. 

Arte que ganha as próprias mãos

Depois de conhecer os símbolos e seus significados, os participantes colocaram a mão na massa para produzir ecobags. A atividade foi conduzida por Day Cortes, que apresentou os materiais e explicou o processo de criação das imagens.

A oficina adapta a técnica da xilogravura para a produção em tecido, permitindo que cada participante desenvolva uma estampa própria a partir dos elementos apresentados. 

“É uma técnica que a gente vai construindo aos poucos, trabalhando os detalhes e depois fazendo os acabamentos com pincéis e canetas. Cada pessoa pode deixar a sua marca no trabalho”, explicou Day. 

Maria Iolanda Novinsqui, 72 anos, aposentada da Secretaria Municipal da Educação (SME), participou da oficina por seu interesse pelo desenho e pelas possibilidades de aplicar o conhecimento ao artesanato que já desenvolve. Ela trabalha principalmente com resina e madeira e conta que nunca havia experimentado a técnica apresentada na atividade. 

“Eu vim por causa do desenho, porque sou artesã e trabalho com artesanato, com resina e essas coisas. Achei o material interessante. Está sendo bem legal”, contou. 

A experiência também despertou novas possibilidades para Maria. “Eu faço na madeira, no pinho. Faço o tratamento da madeira e depois trabalho com a resina. Esse desenho, principalmente, dá para trabalhar com a resina”, explicou.

Conhecer para criar

Para Daiane do Nascimento, servidora do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), a oficina proporcionou mais do que o aprendizado de uma técnica artística. Ela destacou a importância de conhecer os significados dos símbolos e ter contato com uma cultura diferente. 

(Texto: SECOM PMC. Foto: Ricardo Marajó/SECOM)

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